Imensa era a felicidade. O senhor de meia idade saiu exultante da casa onde seu pai morava. O motivo para tanta alegria devia-se ao fato que o pai, sofrendo de esclerose, havia reconhecido o filho naquela manhã. Fazia meses que o pai, doente, não reconhecia ninguém nem lembrava nada. Naquela manhã, num rasgo inesperado de lucidez, o pai, ao receber a rotineira visita do filho, abraçou-o e disse: MEU FILHO! A emoção tomou conta e o filho chorava de felicidade! Realizados e confiantes vivem os filhos quando reconhecidos e tratados como tais pelos pais! A constante presença e o sincero afeto dados pelos pais são indispensáveis para que os filhos cresçam seguros psicológica e afetivamente e desenvolvam uma salutar autoestima. É a herança mais preciosa que os genitores podem legar aos filhos. Sinfonia mais melodiosa para o coração não há que ouvir os pais pronunciarem com sua peculiar afinação, MEU FILHO! É a razão porque os pais não devem ser parcimoniosos no uso deste adubo orgânico que somente eles dispõem. Por outro lado, quanta frustração para um filho que se reconhece órfão de pais vivos!
Foi por conhecer tão bem a alma humana que Deus, ao enviar seu Filho ao mundo para resgatar a humanidade da miséria do pecado quis que os homens e as mulheres soubessem que a redenção os elevava à condição de filhos adotivos do Pai Eterno. A salvação, de fato, consiste nesta sublime realidade: ser reconhecido e chamado de filho pelo Papai do céu. Se os pais humanos provocam tanta segurança e emoção ao reconhecerem seus filhos e ao tratá-los com atenção e ternura, quanto maior a confiança e a felicidade ao saber-se adotado pelo Deus-Amor! É legitimo imaginar Deus aguardando pressuroso a oportunidade de poder chamar cada ser humano de filho/filha. Afinal, é próprio ao amor comunicar-se. E Deus, Amor perfeito, faz questão que seus filhos saibam o imenso carinho que tem por eles. Criativo e inovador o amor sempre encontra meios para afirmar-se. Entre os tantos meios que Deus usa para fazer conhecida sua predileção, os sacramentos são ocasiões privilegiadas. No batismo, em especial, chamando cada candidato pelo nome, Deus declara solenemente: TU ÉS MEU FILHO, EU HOJE TE GEREI! A relevância desta declaração impõe que o sacramento do batismo seja celebrado e vivido com a devida reverência e com mais gratidão, justificando esta incomensurável graça. Pena que, entre os católicos principalmente, a celebração do batismo se transformou num ritual obrigatório, uma espécie de vacina espiritual sem conseqüências. Deus leva a sério suas promessas. Deus leva a sério o ser humano. Estranhamente, o ser humano é que faz pouco caso do extraordinário privilégio de ser olhado por Deus como filho! O Criador não faz demagogia nem recorre à frases de efeito. Eleva o filho do homem à condição de filho adotivo e é como tal que Deus o trata. E para sempre! Uma vez escrito o nome na palma da mão divina, jamais será apagado. É filho e também herdeiro, confirma o apóstolo.
Deus leva o homem muito a sério! Pena que o Homem não abre espaço para Deus. Mesmo orando, o Homem não deixa Deus falar ao coração. Preocupa-se tanto em apresentar suas necessidades, insiste tanto em induzir Deus a satisfazer suas urgências, que não sobra tempo nem disposição para o Papai do Céu tranquilizar: meu filho, minha filha! O esquema materialista e de resultados imediatos seguido pelo mundo moderno contaminou a prática da oração. Pois muitos andam associando a oração à realização de feitos espetaculosos – não raramente pagos de acordo com uma tabela. Está difícil para o ser humano entender que milagre maior não há do que ser reconhecido e chamado por Deus de filho! Na condição do filho do Altíssimo o que poderá lhe faltar? Por que será que o Homem não percebe a enorme distinção que possui?
Amor não combina com ruído! Amor combina com silêncio. É em clima de silêncio obsequioso que Deus quer ter o prazer de chamar cada ser humano: MEU FILHO! Sentença mais melodiosa, capaz de inundar a alma humana de alegria contagiante e de infundir nela uma serena autoestima a mantê-la firme e confiante na travessia da vida!
Padre Charles Borg
Vigário Geral e Pároco Paróquia Santo Antônio de Araçatuba
Foi por conhecer tão bem a alma humana que Deus, ao enviar seu Filho ao mundo para resgatar a humanidade da miséria do pecado quis que os homens e as mulheres soubessem que a redenção os elevava à condição de filhos adotivos do Pai Eterno. A salvação, de fato, consiste nesta sublime realidade: ser reconhecido e chamado de filho pelo Papai do céu. Se os pais humanos provocam tanta segurança e emoção ao reconhecerem seus filhos e ao tratá-los com atenção e ternura, quanto maior a confiança e a felicidade ao saber-se adotado pelo Deus-Amor! É legitimo imaginar Deus aguardando pressuroso a oportunidade de poder chamar cada ser humano de filho/filha. Afinal, é próprio ao amor comunicar-se. E Deus, Amor perfeito, faz questão que seus filhos saibam o imenso carinho que tem por eles. Criativo e inovador o amor sempre encontra meios para afirmar-se. Entre os tantos meios que Deus usa para fazer conhecida sua predileção, os sacramentos são ocasiões privilegiadas. No batismo, em especial, chamando cada candidato pelo nome, Deus declara solenemente: TU ÉS MEU FILHO, EU HOJE TE GEREI! A relevância desta declaração impõe que o sacramento do batismo seja celebrado e vivido com a devida reverência e com mais gratidão, justificando esta incomensurável graça. Pena que, entre os católicos principalmente, a celebração do batismo se transformou num ritual obrigatório, uma espécie de vacina espiritual sem conseqüências. Deus leva a sério suas promessas. Deus leva a sério o ser humano. Estranhamente, o ser humano é que faz pouco caso do extraordinário privilégio de ser olhado por Deus como filho! O Criador não faz demagogia nem recorre à frases de efeito. Eleva o filho do homem à condição de filho adotivo e é como tal que Deus o trata. E para sempre! Uma vez escrito o nome na palma da mão divina, jamais será apagado. É filho e também herdeiro, confirma o apóstolo.
Deus leva o homem muito a sério! Pena que o Homem não abre espaço para Deus. Mesmo orando, o Homem não deixa Deus falar ao coração. Preocupa-se tanto em apresentar suas necessidades, insiste tanto em induzir Deus a satisfazer suas urgências, que não sobra tempo nem disposição para o Papai do Céu tranquilizar: meu filho, minha filha! O esquema materialista e de resultados imediatos seguido pelo mundo moderno contaminou a prática da oração. Pois muitos andam associando a oração à realização de feitos espetaculosos – não raramente pagos de acordo com uma tabela. Está difícil para o ser humano entender que milagre maior não há do que ser reconhecido e chamado por Deus de filho! Na condição do filho do Altíssimo o que poderá lhe faltar? Por que será que o Homem não percebe a enorme distinção que possui?
Amor não combina com ruído! Amor combina com silêncio. É em clima de silêncio obsequioso que Deus quer ter o prazer de chamar cada ser humano: MEU FILHO! Sentença mais melodiosa, capaz de inundar a alma humana de alegria contagiante e de infundir nela uma serena autoestima a mantê-la firme e confiante na travessia da vida!
Padre Charles Borg
Vigário Geral e Pároco Paróquia Santo Antônio de Araçatuba

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